Os grandes navegadores e viajantes da história
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Os grandes navegadores e viajantes da história incluem Leif Erikson, que chegou à América do Norte por volta do ano 1000; Marco Polo e Ibn Battuta, que cruzaram a Ásia nos séculos XIII e XIV; o almirante chinês Zheng He, com sete expedições entre 1405 e 1433; Fernão de Magalhães, cuja expedição fez a primeira volta ao mundo (1519 a 1522); Francis Drake, que fez a segunda; e os polares Amundsen e Shackleton.
Como escolhemos e uma linha do tempo das viagens
Escolhemos viajantes cujas rotas estão documentadas por fontes da época (sagas, relatos, diários, inscrições) e que mudaram o que se sabia sobre o mundo. A lista inclui viajantes por terra, como Marco Polo e Ibn Battuta, porque os relatos deles orientaram os navegadores que vieram depois. Um aviso: "descobrir" é uma palavra enganosa. Quase todos esses lugares já eram habitados, e os povos de lá não precisavam ser descobertos.
| Viajante | Viagem principal | Datas | Fonte principal |
|---|---|---|---|
| Leif Erikson | Groenlândia a Vinland (América do Norte) | c. 1000 | Sagas islandesas; sítio de L'Anse aux Meadows |
| Marco Polo | Veneza à corte de Kublai Khan, na China | 1271 a 1295 | O Livro das Maravilhas (c. 1298) |
| Ibn Battuta | Tânger à Índia, China e Mali | 1325 a 1354 | Rihla (1355) |
| Zheng He | Sete expedições da China à África Oriental | 1405 a 1433 | Estelas de Changle e Liujiagang; relato de Ma Huan |
| Fernão de Magalhães | Primeira volta ao mundo (concluída por Elcano) | 1519 a 1522 | Relato de Antonio Pigafetta |
| Francis Drake | Segunda volta ao mundo | 1577 a 1580 | The World Encompassed (1628) |
| Roald Amundsen | Passagem do Noroeste; Polo Sul | 1903 a 1906; 1911 | Livros do próprio Amundsen |
| Ernest Shackleton | Expedição do Endurance à Antártida | 1914 a 1917 | South (1919) |
Leif Erikson: os nórdicos na América por volta do ano 1000
Leif Erikson, filho de Erik, o Vermelho, partiu da Groenlândia e, segundo as sagas islandesas, chegou a terras que chamou de Helluland, Markland e Vinland. Durante séculos isso parecia lenda. Em 1960, Helge e Anne Stine Ingstad encontraram em L'Anse aux Meadows, na Terra Nova (Canadá), restos de construções nórdicas. Em 2021, um estudo de anéis de árvores publicado na revista Nature mostrou que madeira ali foi cortada com ferramentas de metal em 1021. As sagas, escritas no século XIII, misturam fato e invenção, e os povos indígenas que os nórdicos encontraram aparecem nelas com o nome de skrælings.
Marco Polo: Veneza, Kublai Khan e o livro
Marco Polo saiu de Veneza em 1271 com o pai e o tio, viveu cerca de 17 anos no império mongol e voltou em 1295, em parte por mar, pelo Sudeste Asiático e pelo oceano Índico. Preso em Gênova, ditou suas memórias a Rustichello de Pisa por volta de 1298. O livro descreve o papel-moeda do Khan, que circulava em todo o império, e cidades enormes como Hangzhou. Alguns historiadores apontam ausências, como a Grande Muralha e o chá, e há debate sobre o quanto ele viu pessoalmente; a maioria aceita que ele esteve na China. O livro inspirou navegadores do século XV, que o liam como guia do Oriente.
Ibn Battuta: quase 30 anos de viagem
Ibn Battuta, jurista nascido em Tânger, no Marrocos, partiu em 1325 em peregrinação a Meca e continuou viajando por quase trinta anos: Norte e Leste da África, Arábia, Pérsia, Ásia Central, Índia, Maldivas, Sudeste Asiático, provavelmente a China e, no fim, o império do Mali. Trabalhou como juiz em Délhi e nas Maldivas. Ditou suas viagens a Ibn Juzayy, que redigiu a Rihla em 1355. Detalhe pouco lembrado: percorreu muito mais quilômetros do que Marco Polo, e parte da viagem foi por mar, em barcos mercantes do oceano Índico.
Zheng He: as frotas chinesas no oceano Índico
Zheng He nasceu Ma He, numa família muçulmana de Yunnan, e foi capturado ainda menino durante a conquista da região pela dinastia Ming. Tornou-se eunuco da corte e almirante. Entre 1405 e 1433 comandou sete expedições ao Sudeste Asiático, à Índia, à Arábia e à costa da África Oriental, com dezenas de grandes navios e dezenas de milhares de homens.
As frotas levavam presentes e cobravam reconhecimento do imperador; quem resistia era tratado com força, como o pirata Chen Zuyi, capturado em Palembang em 1407. Em 1431, Zheng He mandou gravar em Changle uma estela que descreve as ondas "como montanhas" e a proteção da deusa Tianfei. O tamanho exato dos maiores navios é discutido pelos historiadores. Depois de 1433, a corte Ming encerrou as expedições, principalmente pelo custo. A tese de que a frota chinesa chegou à América não tem base nas fontes.
Fernão de Magalhães: a primeira volta ao mundo
Fernão de Magalhães era português, mas navegou a serviço da Espanha. Queria chegar às Ilhas das Especiarias, nas atuais Molucas, pelo oeste, e argumentou que elas ficavam do lado espanhol da linha do Tratado de Tordesilhas. Saiu de Sanlúcar de Barrameda em 20 de setembro de 1519, com cinco navios e cerca de 270 homens.
Em dezembro de 1519, a frota parou na baía de Guanabara, onde hoje é o Rio de Janeiro. Em 1520, depois de enfrentar um motim, Magalhães atravessou o estreito no sul do continente que hoje leva o seu nome, entre outubro e novembro, e entrou num oceano que chamou de Pacífico. A travessia durou mais de três meses, com fome e escorbuto. Em 27 de abril de 1521 Magalhães morreu na batalha de Mactan, nas Filipinas, contra os guerreiros do chefe Lapulapu, hoje herói nacional filipino. Só o navio Victoria, comandado por Juan Sebastián Elcano, voltou à Espanha, em 6 de setembro de 1522, com 18 sobreviventes europeus. O italiano Antonio Pigafetta, um deles, escreveu o relato que é a nossa principal fonte.
Francis Drake: corsário da rainha e a segunda volta ao mundo
Francis Drake fez entre 1577 e 1580, no navio Golden Hind, a segunda circum-navegação da história, saqueando navios e cidades espanholas no Pacífico pelo caminho. Foi armado cavaleiro por Elizabeth I em 1581, a bordo do próprio navio, e foi um dos comandantes ingleses contra a Armada espanhola em 1588. Para os ingleses era herói; para os espanhóis, "El Draque", um pirata. Na juventude participou das viagens de John Hawkins que traficavam africanos escravizados, fato que as biografias modernas não escondem. Morreu de disenteria em 1596, no mar do Caribe, perto de Portobelo, no Panamá.
Amundsen e Shackleton: as viagens aos polos
Roald Amundsen, norueguês, foi o primeiro a atravessar a Passagem do Noroeste, pelo Ártico canadense, entre 1903 e 1906, no pequeno barco Gjøa, e aprendeu com o povo netsilik técnicas de roupa e viagem no gelo. Em 14 de dezembro de 1911, chegou ao Polo Sul, cinco semanas antes do britânico Robert Falcon Scott.
Ernest Shackleton é lembrado por um fracasso que virou façanha. Em 1915 o navio Endurance foi esmagado pelo gelo da Antártida. Ele levou os 28 homens para a ilha Elefante e, em 1916, navegou com cinco companheiros cerca de 800 milhas náuticas num bote aberto até a Geórgia do Sul, atravessou as montanhas da ilha a pé e organizou o resgate. Todos sobreviveram. O naufrágio do Endurance foi encontrado no fundo do mar de Weddell em 2022.
E os navegadores portugueses que chegaram ao Brasil e à Índia
Nenhuma lista em português fica completa sem os navegadores portugueses. Bartolomeu Dias contornou o Cabo da Boa Esperança em 1488. Vasco da Gama chegou a Calicute, na Índia, em maio de 1498, abrindo a rota marítima entre a Europa e a Ásia. Pedro Álvares Cabral, a caminho da Índia, chegou ao litoral da atual Bahia em 22 de abril de 1500; o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a chegada numa carta ao rei D. Manuel, guardada hoje na Torre do Tombo, em Lisboa. É uma das fontes primárias mais conhecidas da história do Brasil, analisada no guia de fontes primárias e secundárias.
Para preparar um trabalho, você pode ouvir como esses viajantes contariam as próprias viagens: no Yuga, app que recria personagens históricos por IA a partir de seus relatos e do registro histórico, dá para conversar por voz com Fernão de Magalhães ou Zheng He. As recriações não são as pessoas reais e podem errar; confira nos relatos originais e nas biografias.
Perguntas frequentes
- Quem fez a primeira volta ao mundo?
- A expedição comandada por Fernão de Magalhães, que saiu da Espanha em 1519. Magalhães morreu nas Filipinas em 1521, e o navio Victoria completou a volta sob o comando de Juan Sebastián Elcano, chegando à Espanha em 6 de setembro de 1522 com 18 sobreviventes europeus.
- Quem chegou primeiro à América?
- Os povos indígenas, milhares de anos antes de qualquer europeu. Entre os europeus, os nórdicos chegaram primeiro: o sítio de L'Anse aux Meadows, no Canadá, prova presença nórdica por volta do ano 1000, com madeira cortada em 1021, quase cinco séculos antes da viagem de 1492.
- Quem foi Zheng He?
- Foi um almirante e diplomata chinês da dinastia Ming, nascido numa família muçulmana em Yunnan em 1371. Comandou sete grandes expedições entre 1405 e 1433, chegando ao Sudeste Asiático, à Índia, à Arábia e à costa leste da África, com frotas de dezenas de navios.
- Marco Polo era navegador?
- Não exatamente. Era um mercador veneziano que viajou sobretudo por terra até a China, entre 1271 e 1275, e voltou em parte por mar, até 1295. Ele entra nas listas de navegadores porque seu livro sobre a Ásia foi lido pelos navegadores europeus do século XV.
- Por que Fernão de Magalhães navegou pela Espanha e não por Portugal?
- Porque o rei português D. Manuel recusou seus pedidos. Magalhães então ofereceu o projeto ao jovem rei Carlos I da Espanha, argumentando que as Ilhas das Especiarias ficavam no lado espanhol da linha de Tordesilhas. O acordo foi assinado em Valladolid em 1518.
Fontes
- Antonio Pigafetta, Relação da primeira viagem ao redor do mundo (c. 1524)
- Saga dos Groenlandeses e Saga de Erik, o Vermelho (século XIII)
- Kuitems et al., "Evidence for European presence in the Americas in AD 1021", Nature, 2021
- Ma Huan, Yingya shenglan (1433); estela de Changle (1431)
- Carta de Pero Vaz de Caminha (1500), Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Encyclopaedia Britannica, verbete Ferdinand Magellan