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Galileu Galilei: biografia resumida

7 min de leitura

Galileu Galilei (1564 a 1642) foi um matemático, físico e astrônomo italiano, nascido em Pisa. Em 1609 e 1610 aperfeiçoou a luneta e a apontou para o céu: viu montanhas na Lua, as fases de Vênus e quatro luas de Júpiter. Defendeu que a Terra gira em torno do Sol e, em 1633, foi julgado pela Inquisição romana, obrigado a renegar a ideia e condenado à prisão domiciliar perpétua, onde escreveu sua obra principal sobre o movimento.

Galileu Galilei em datas: linha do tempo

AnoAcontecimento
1564Nasce em Pisa, em 15 de fevereiro, filho do músico Vincenzo Galilei
1581Entra na Universidade de Pisa para estudar medicina, que abandona sem diploma em 1585
1589Torna-se professor de matemática em Pisa
1592 a 1610Ensina matemática na Universidade de Pádua, na República de Veneza
1609Constrói e aperfeiçoa sua primeira luneta
1610Em janeiro observa as luas de Júpiter; em março publica O Mensageiro das Estrelas; torna-se matemático da corte de Cosimo II de' Medici, em Florença
1613Publica as Cartas sobre as Manchas Solares
1615Escreve a Carta à Grã-Duquesa Cristina, sobre ciência e Escritura
1616O cardeal Roberto Belarmino o adverte a não defender o sistema de Copérnico
1623Publica O Ensaiador; o amigo Maffeo Barberini é eleito papa Urbano VIII
1632Publica o Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas do Mundo
1633Julgado pela Inquisição em Roma; abjura em 22 de junho; prisão domiciliar em Arcetri
1638Publica Duas Novas Ciências em Leiden, na Holanda; já está cego
1642Morre em Arcetri, perto de Florença, em 8 de janeiro

Juventude em Pisa e professor em Pádua

O pai de Galileu, Vincenzo, era alaudista e teórico da música e queria que o filho fosse médico, profissão mais rentável. Galileu preferiu a matemática. Como professor em Pisa e depois em Pádua, estudou o pêndulo, o plano inclinado e a queda dos corpos, e ganhava dinheiro extra vendendo instrumentos e dando aulas particulares.

Em Pádua viveu com Marina Gamba, com quem teve três filhos sem se casar. As duas filhas foram para um convento. A mais velha, Virginia, que adotou o nome de irmã Maria Celeste, escreveu cartas ao pai que sobreviveram e são uma das melhores fontes sobre a vida privada dele.

O que Galileu viu com a luneta

Galileu não inventou a luneta. Em 1608, o fabricante de lentes Hans Lipperhey pediu uma patente para o instrumento na Holanda. Galileu soube da novidade em 1609, entendeu o princípio e construiu versões cada vez melhores, até chegar a cerca de 20 aumentos.

O que ele fez de novo foi apontar o instrumento para o céu de forma sistemática e publicar o que viu. Em O Mensageiro das Estrelas (Sidereus Nuncius), de março de 1610, ele descreveu:

  • Montanhas e crateras na Lua, mostrando que ela não era uma esfera perfeita.
  • Muito mais estrelas do que se vê a olho nu, e a Via Láctea formada por inúmeras estrelas.
  • Quatro corpos girando em torno de Júpiter, que ele chamou de estrelas mediceias em homenagem aos Medici. Hoje são as luas galileanas: Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

Depois, ainda em 1610, ele observou as fases de Vênus. Elas não se explicavam bem no sistema de Ptolomeu, com a Terra no centro, e eram um forte argumento a favor de Copérnico.

Ciência, Escritura e matemática nas palavras de Galileu

Na Carta à Grã-Duquesa Cristina (1615), Galileu argumentou que a Bíblia fala em linguagem comum para ser entendida por todos e não deve ser usada para decidir questões da natureza que podem ser resolvidas pela observação e pela demonstração. Ele cita uma frase que atribui a um eclesiástico (geralmente identificado como o cardeal Baronio): a intenção do Espírito Santo é ensinar como se vai para o céu, e não como vai o céu.

Em O Ensaiador (1623), escreveu a passagem mais conhecida sobre o papel da matemática:

“A filosofia está escrita neste grandíssimo livro que continuamente está aberto diante dos nossos olhos (eu digo o universo), mas não se pode entendê-lo se antes não se aprende a entender a língua e conhecer os caracteres em que está escrito. Ele está escrito em língua matemática.”
Galileu Galilei, Il Saggiatore (O Ensaiador), Roma, 1623 (tradução nossa)

Por que Galileu foi julgado pela Inquisição

Em 1616, a Igreja declarou a ideia de que a Terra se move contrária às Escrituras, suspendeu o livro de Copérnico até ser corrigido, e o cardeal Belarmino advertiu Galileu a não defender essa teoria. Quando o amigo Maffeo Barberini virou o papa Urbano VIII, em 1623, Galileu achou que teria mais liberdade e recebeu permissão para discutir os dois sistemas, desde que de forma hipotética.

O Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas do Mundo (1632) não ficou neutro. O defensor da Terra imóvel, chamado Simplício, perde todas as discussões, e um argumento do próprio papa aparece na boca dele no final. O papa se sentiu traído. Galileu foi chamado a Roma, julgado e, em 22 de junho de 1633, ajoelhado, leu uma abjuração renegando a ideia de que a Terra se move. Foi condenado à prisão domiciliar, que cumpriu na sua casa de Arcetri até a morte.

Historiadores como J. L. Heilbron e David Wootton alertam contra a versão simples de "ciência contra religião". Galileu era católico, tinha amigos e inimigos dentro da Igreja, e o processo envolveu política papal, orgulho pessoal e o fato de que, na época, ainda não havia prova direta do movimento da Terra. Em 1992, o papa João Paulo II reconheceu publicamente que a condenação foi um erro.

A obra final: Duas Novas Ciências

Em prisão domiciliar e perdendo a visão, Galileu escreveu os Discursos e Demonstrações Matemáticas sobre Duas Novas Ciências, publicados em 1638 em Leiden, fora do alcance da Inquisição. O livro trata da resistência dos materiais e do movimento. Nele, Galileu mostra que, sem a resistência do ar, corpos de pesos diferentes caem com a mesma aceleração e que a distância percorrida cresce com o quadrado do tempo. Esse trabalho foi a base da mecânica de Isaac Newton, nascido no mesmo ano em que Galileu morreu.

Lendas sobre Galileu: Torre de Pisa e "eppur si muove"

  • A Torre de Pisa. A história de que ele soltou bolas de pesos diferentes do alto da torre vem de Vincenzo Viviani, seu discípulo e primeiro biógrafo, que escreveu décadas depois. Galileu não descreve esse experimento, e muitos historiadores duvidam que tenha acontecido como contado.
  • "E, no entanto, ela se move" (eppur si muove). Não há registro de que ele tenha dito isso no julgamento, o que teria sido perigosíssimo. A frase aparece impressa pela primeira vez em 1757, num livro de Giuseppe Baretti, mais de cem anos depois. É uma lenda.
  • Foi torturado. Não há prova disso. A sentença menciona um exame sob ameaça de tortura, prática formal da época, mas não indica que ele tenha sido torturado.

Para estudar e apresentar Galileu

Galileu é ótimo para museu de cera (uma luneta de papelão basta) e para entrevista histórica. Para ouvir como ele poderia argumentar, você pode conversar por voz com uma recriação de Galileu Galilei no Yuga, app que recria personagens históricos por IA a partir dos seus escritos e do registro histórico. A recriação não é Galileu e pode errar; no trabalho, cite os livros dele e as biografias abaixo.

Perguntas frequentes

Quais foram as principais descobertas de Galileu Galilei?
Com a luneta, ele descobriu as quatro maiores luas de Júpiter, as fases de Vênus, as montanhas da Lua, as manchas solares e que a Via Láctea é feita de estrelas. Na física, mostrou que corpos caem com a mesma aceleração sem resistência do ar e estudou o pêndulo e o movimento de projéteis.
Galileu inventou o telescópio?
Não. O instrumento surgiu na Holanda, onde Hans Lipperhey pediu uma patente em 1608. Galileu soube disso em 1609, construiu suas próprias lunetas, melhorou muito o aumento e foi o primeiro a usá-las de forma sistemática para observar o céu e publicar os resultados.
Por que Galileu foi condenado?
Porque o Diálogo de 1632 defendia o sistema de Copérnico, em que a Terra gira em torno do Sol, contrariando a advertência de 1616. A Inquisição o considerou veementemente suspeito de heresia. Ele abjurou em 22 de junho de 1633 e passou o resto da vida em prisão domiciliar.
Galileu disse mesmo "eppur si muove"?
Não há prova. A frase só aparece impressa em 1757, num livro de Giuseppe Baretti, mais de um século depois do julgamento. Dizer isso diante da Inquisição teria sido perigoso, e nenhuma testemunha registrou. Os historiadores tratam a frase como lenda.

Fontes

  • Galileu Galilei, Sidereus Nuncius (1610)
  • Galileu Galilei, Carta à Grã-Duquesa Cristina (1615) e Il Saggiatore (1623)
  • Galileu Galilei, Dialogo sopra i due massimi sistemi del mondo (1632) e Discorsi e dimostrazioni matematiche intorno a due nuove scienze (1638)
  • J. L. Heilbron, Galileo (Oxford University Press, 2010)
  • Dava Sobel, Galileo's Daughter (1999)
  • Encyclopaedia Britannica, verbete Galileo